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Sábado, Janeiro 23, 2021

Em Vila Nova de Gaia há uma Escola Oficina que já inspirou os árabes de Omã

Estojos, ementas para hotéis ou máscaras de proteção individual com certificação nacional e europeia são alguns dos materiais produzidos na Escola Oficina de Vila Nova de Gaia, um projeto social que já inspirou o reino de Omã.

A Escola Oficina, que nasceu em 2015 no empreendimento de habitação social do Balteiro, freguesia de Vilar de Andorinho, é um projeto social promovido pela empresa municipal Gaiurb – Urbanismo e Habitação, em parceria com a câmara de Vila Nova de Gaia e com a Escola Artística e Profissional Árvore.

“O principal desígnio é criar pontes para o emprego através da capacitação e do desenvolvimento de novas tarefas profissionais, mas sempre com a perspetiva da sustentabilidade ambiental e financeira”, descreve à agência Lusa o presidente da Gaiurb, António Castro.

Ao longo destes cinco anos, a Escola Oficina – que tem instalações na rua Virgílio Ferreira, em Mafamude, no ‘coração’ de Vila Nova de Gaia – acompanhou 4.752 pessoas (3.787 acompanhadas na área da formação/capacitação e 971 na área do emprego), produziu mais de 32.000 artigos provenientes da reutilização de lixos industriais, dos quais comercializou cerca de 90% (29.738) e criou 6.838 novos artigos.

As principais oficinas são a costura e a cartonagem, mas o projeto inclui um Laboratório de Multimédia, no qual podem ser criados ‘sites’, lojas ‘online’, vídeos promocionais ou linhas gráficas.

António Castro destaca o facto da Escola Oficina “já se ter tornado, de alguma forma, uma espécie de ‘case study’ para as pessoas que ali aprendem e se formam numa determinada área, tornando-se autónomas ao ponto de criarem o seu próprio negócio”.

“Já criamos alguns empreendedores de sucesso”, diz o responsável da Gaiurb, empresa municipal que gere os empreendimentos sociais de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, nos quais vivem cerca de 8.000 pessoas.

Mas não é só quem ali trabalha que se tem sentido inspirado. A 13 de janeiro, uma delegação da Be’ah, entidade governamental responsável pela gestão de resíduos em Omã, país da Península Arábica localizada no Golfo Pérsico, visitou a Escola Oficina da Gaiurb.

A deslocação do grupo surgiu na sequência da consultoria técnica em educação ambiental realizada naquele país do Médio Oriente pela SUMA, que também é parceira da Gaiurb neste projeto de sustentabilidade ambiental e de responsabilidade social.

“Existem objetivos e eixos de ação, mas acima de tudo estão pessoas. Queremos capacitar as pessoas para que fiquem autónomas, consigam emprego ou criem autoemprego. E ao projeto juntam-se as componentes ambiental e económica”, refere António Castro, acrescentando o objetivo de “alertar para uma cidadania consciente”.

Todos os artigos produzidos na Escola Oficina têm origem em aproveitamento de desperdícios de indústrias de resíduos e indústrias têxteis da Área Metropolitana do Porto. Além da SUMA, também são usados materiais de empresas como a Lofaltex, a MCS Textile Solutions, a Santos & Passos, e da Lidador.

Estojos, blocos de notas, porta-chaves, pastas para ‘tablets’, ementas e pendurantes para hotéis, forras de cadeiras ou máscaras de proteção individual com certificação nacional e europeia, são alguns dos produtos criados na Escola Oficina de Vila Nova de Gaia.

“Se pensarmos num dos eixos do Roteiro da Neutralidade Carbónica para 2050 – o pensar global e à microescala para agir local – esta escola enquadra-se perfeitamente porque, acompanhadas por uma equipa multidisciplinar, quem trabalha na Escola Oficina, num projeto com abordagem muito simples, mas também muito operacional, pega no que era a indústria tradicional, dar-lhe uma componente mais artística, graças à parceria com a Árvore, junta a sustentabilidade e tudo se resume em economia circular levada ao expoente máximo.”, descreve António Castro.

Já no que diz respeito a clientes que procuram os produtos da Escola Oficina, são exemplos: a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, a Quinta de Ventozelo Hotel & Quinta, o El Corte Inglês, e a própria SUMA.

“Tenderemos a evoluir para o modelo de incubação para pessoas que têm cariz empreendedor. No fundo o futuro passa por limar as arestas do projeto cuja missão é a integração social, a qualificação de pessoas que normalmente estão em situação de exclusão social”, diz o presidente da Gaiurb, apontando que a Escola Oficina é “quase autossustentável a nível financeiro” e tem vindo a mostrar resultados no “aumento da autoestima e confiança” de quem integra o projeto.

Já informação remetida à Lusa especifica que o modelo implementado no projeto Escola Oficina visa também a promoção de mudanças estruturais que propaguem a capacitação individual e coletiva, no sentido de encontrar soluções para os diversos problemas, dos quais se destacam o desemprego e os jovens NEET [Not in Employment Education or Training], o equivalente em português ao conceito “população jovem fora do mercado de trabalho e de instituições educacionais”.

Devido à pandemia da covid-19, as atividades decorrem atualmente com medidas de proteção e em horários em espelho.

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